sexta-feira, 31 de maio de 2013
Carménères mais frutados
O Carménère é um vinho que nunca chamou tanto minha atenção. Apesar do perfil macio e agradável, sempre achei um pouco destacada aquela tradicional nota verde dos varietais elaborados com a uva. Pude provar, agora em viagem pelo Chile, Carménères diferenciados, mais frescos, frutados, especiados e até mesmo florais. Vinhos onde o toque vegetal, às vezes imperceptível, às vezes sutil e bem integrado, somou-se às demais camadas aromáticas, compondo uma rica complexidade. Interessante saber que os produtores chilenos continuam trabalhando a casta, identificada em meio aos vinhedos de Merlot, há cerca de 20 anos. É muito bom saber que eles estão buscando maior frescor e leveza nos varietais produzidos com ela. É uma casta cujos vinhos ainda estão em construção. Não que eles estejam sendo maquiados, muito pelo contrário. Há um trabalho de encontrar novos terroirs para as uvas. E, assim, produzir novos estilos de Carménères, a partir de uvas diferenciadas. Vinhos mais vibrantes. O que muda minha opinião a respeito desses produtos. Acima, o Carménère Maquis, cujas uvas são colhidas em março, dois meses antes do período em que a grande maioria dos produtores colhe, em maio. Isso, pela particularidade do terroir onde está o produtor, em Colchagua. É pena que esse vinho ainda não tenha chegado ao Brasil.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Peru e Vinhos

O peru é um símbolo nas festas de final de ano. A ave costuma fazer a felicidade e alegrar o apetite das famílias, nas comemorações natalinas. E, apesar da tradição de se comer mais carne suína na passagem de ano (um animal que fuça para frente), muita gente prepara também a ave no réveillon. E a serve bem recheada de farofa e decorada com frutas frescas, frutas secas e em calda.
A carne de peru pode ser muito bem acompanhada por vinhos. Para escolher o vinho adequado, deve-se ficar atento às sensações aromáticas e gustativas do assado. E também de tudo que o acompanha. E buscar um vinho sinérgico.
A carne de peru tem tendência doce, traz ao paladar uma lembrança doce. Nesse caso, os vinhos macios são os mais indicados. Vinhos mais ácidos, diante de uma tendência doce, podem elevar, no paladar, a sensação de acidez. E não ficar agradáveis.
O peru costuma ser servido com frutas secas, como passas, ameixas e figos. Essas frutas tendem também ao doce. Outras frutas trazem lembranças cítricas e tendência sutilmente ácida, como os damascos. Vinhos macios combinam tanto com frutas secas como com frutas com notas um pouco mais ácidas. E não brigam com doçuras vindas de fios de ovos e cerejas ao maraschino.

Com base nisso, concluímos que a carne de peru combina com vinhos macios, com bom teor alcoólico (a partir de 12,5%, por exemplo), média estrutura e, de preferência, alguma passagem por barricas de carvalho, o que aumenta a complexidade da bebida.
Ao pensar em tintos, vale a mesma regra: são indicados tintos macios, com acidez equilibrada e não tânicos. Esses tintos podem ter uma pequena passagem por barricas, mas não excessiva. O teor alcoólico pode partir de 12,5%.
Não devem ser descartadas opções que contemplem o gosto pessoal de cada um. Sempre cuidando para não colocar um tinto tânico demais ou um branco ácido demais ao lado do assado. Para ver uma receita de Peru Assado, acesse programapãoevinho.blogspot.com. Para ver o preparo da receita e vinhos para acompanhar, acesse:
Saúde e bom apetite!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Alvarinhos, vinhos com vocação para a guarda

Os vinhos de Alvarinho ainda são pouco conhecidos pelos brasileiros. Casta tipicamente ibérica, a Alvarinho gera vinhos cheios e intensos, principalmente na região portuguesa do Minho e espanhola da Galícia. Produtos complexos e estruturados, com uma capacidade de envelhecimento impressionante. Vinhos que ganham com o tempo e nada devem, em qualidade, para castas brancas grandiosas, como a Chardonnay, a Sauvignon, a Chenin Blanc e a Riesling.

Paralelamente ao concurso, foi promovida uma degustação vertical de Alvarinhos, a partir da safra 1994. A degustação aconteceu na vinícola Quinta de Melgaço. Foram colocados em degustação vinhos das marcas Soalheiro (safras 1994, 1995 e 2005), Dona Paterna (1995, 2003, 2005 e 2007), Quinta do Regueiro (1995, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007), Quintas de Melgaço (2001, 2002, 2003, 2004, 2007), Castrus de Melgaço (2005 e 2006), Poema (2005), Casa de Cerdedo (2006), Terras da Aldeia (2006), Reguengo de Melgaço (2007), Quinta Pigarra (2009) e Quinta das Alvaianas (2009). As impressões foram surpreendentes.


Os Alvarinhos mais jovens, a partir de 2005, mostraram frutas mais frescas, notas cítricas e, em alguns casos, toques vegetais. Os tons minerais também se mostravam ao olfato, com menos intensidade que nos Alvarinhos velhos. Uma mostra de que é possível beber Alvarinhos de diversas idades. E, em cada idade, descobrir a riqueza dessa casta e dos vinhos, intensos e longevos.

· Soalheiro 1994 – Cor amarela com reflexos dourados. Cristalino, consistente. Nariz intenso, com aromas evoluídos de fruta muito madura, frutas secas, discretos florais, notas amendoadas e minerais marcantes. Fresco em boca, com acidez firme e final muito longo.
· Dona Paterna 1995 – Cor amarelo com reflexos dourados. Também denso e cristalino. Nariz igualmente maduro, com agradáveis notas frutadas, sutis florais e amendoados. E toques minerais marcantes, destacados, lembrando, inclusive, petróleo. Untuoso, com final vibrante em boca.
· Soalheiro 1995 – Cor amarelo com reflexos dourados. Límpido, consistente e cristalino. Nariz com frutas maduras, toques amendoados e leves florais. Mineral marcante. Boca fresca, perfeita. Leve gás. Frutado, amendoado, gordo e infinito em boca.
· Quinta do Regueiro 1999 – Cor amarelo-dourado, cristalino. Nariz com frutas tropicais maduras, floral de camomila e mineral intenso. Boca fresca, frutada, longa.
· Quintas de Melgaço 2001 – Amarelo-dourado intenso, límpido. Nariz evoluído lembrando notas medicinais e minerais. Frutas tropicais maduras (manga), notas amendoadas. Fresco e mineral também, com um corpo de agradável intensidade.
· Quintas de Melgaço 2002 – Amarelo com reflexos dourados. Consistente e límpido. Nariz elegante e intenso. Notas minerais marcantes, lembrando a petróleo, toques de frutas maduras (manga). Boca fresca, intensa e mineral. Excelente evolução.
· Quinta do Regueiro 2002 – Amarelo-dourado, límpido. Nariz com notas minerais e frutas muito maduras, como o pêssego. Floral delicado. Boca fresca e mineral, com boa intensidade.
· Quintas de Melgaço 2003 – Dourado cristalino. Nariz muito intenso, com notas de frutas frescas e maduras, toques florais e um bom mineral. Boca fresca, com expressão frutada e nota mineral.
· Dona Paterna 2003 – Amarelo dourado, límpido. Nariz com lembranças medicinais, notas levemente frutadas, floral. Boca fresca e untuosa.
· Castrus de Melgaço 2005 – Amarelo dourado, consistente, límpido. Nariz com elegante mineralidade, notas de frutas amarelas maduras, floral. Boca intensa com frutas maduras e mineralidade.
· Quinta do Regueiro 2005 – Amarelo-dourado, límpido e cristalino. Nariz mineral, com notas de frutas tropicais maduras e florais de jasmim. A boca confirma a fruta e o mineral.
· Soalheiro 2005 – Palha-verdeal, límpido, brilhante. Nariz mais fresco com notas frutas e cítricas lembrando a carambola. Floral de camomila, mineral. Bocar fresca, frutada, longa.
· Terras da Aldeia 2006 – Palha-verdeal, límpido. Notas de frutas frescas, brancas e cítricas. Discretos aromas minerais. Boca com excelente frescor e boa fruta.
· Casa de Cerdedo 2006 – Amarelho-palha verdeal. Nariz com notas frutadas frescas e florais e minerais com lembrança de petróleo.
· Castrus de Melgaço 2006 – Palha-dourado. Nariz com notas de frutas tropicais lembrando a manga, floral e mineral. Frescor firme em boca.
· Reguendo de Melgaço 2007 – Palha com reflexos dourados, cristalino. Nariz com frutas amarelas como a manga, notas cítricas, minerais. Boca fresca, com fruta tropical e acidez bastante agradável.
· Quinta do Regueiro 2007 – Palha com reflexos amarelados. Tropical em boca, lembrando a frutas como o maracujá. Boca fresca, leve, jovial. Vinho agradável.
· Quinta Pigarra 2009 – Palha cristalino. Nariz elegante, com notas cítricas e frutadas, aromas minerais e florais de camomila. Boca com agradável acidez, frutada e mineral. Longo e intenso.
· Alvaianas 2009 – Amarelo palha límpido. Aromas de frutas frescas de caroço, floral de jasmim com uma agradável lembrança de dama da noite. Fresco, frutado e intenso em boca.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Fillaboa, um Albariño de estirpe

Fillaboa quer dizer “filha boa”, em galego. É o nome de uma bodega espanhola localizada em Pontevedra, próximo ao rio Minho, que divide Portugal e Espanha. Uma vinícola que produz vinhos brancos vibrantes com a casta Albariño. Dois rótulos podem ser comprados no Brasil: Fillabora Albariño e Fillaboa Albariño Selección Finca Monte Alto, este último, altamente pontuado pela crítica internacional.

As uvas Albariño
Há, na região das Rias Baixas, 7 mil vitivinicultores, que plantam 3.6 mil hectares de uvas e produzem, em média, 12,5 milhões de litros de vinhos por ano. Os dados são do Conselho Regulador da Denominação de Origem Rias Baixas, que fica em Pontevedra. Os numeros são relativos ao ano de 2008. Naquele ano, 205 bodegas estavam em operação, na região. E 95% de todos os vinhedos eram de Albariño. O moderno sistema de condução em espaldeira divide espaço com a tradicional pérgola (latada) ou parra, em espanhol. O motivo da existência desse sistema de condução, no qual os cachos de uvas ficam bem altos, é a grande umidade local. Se os cachos ficassem próximos ao solo, o risco de podridões seria bem maior.

Na região das Rias Baixas, a produtividade média de uvas por hectare gira em torno de 7 a 7,5 toneladas. Um número excelente. O máximo permitido pelo conselho regulador é de 11 toneladas por hectare. Mas, segundo dirigentes do órgão, isso nunca é atingido. É proibida a chaptalização na região (adição de açúcar de cana ao mosto, para aumentar o teor alcoólico dos vinhos). Os vinhos locais não podem ter menos de 11o C de álcool, obtido com o açúcar natural dos frutos. Uvas autóctones são cultivadas, na região, ao lado da Albariño. Entre as brancas estão a Godello, Torrontés, Caíno, Treixadura e Loureira. Entre as tintas, a Brancelao, Mencía, Sousón, Loureira Tinta e Caíno Tinta.
Um branco vibrante
Seguramente ainda não foram dados aos vinhos de Albariño o destaque e o valor que eles merecem, ao lado dos grandes brancos do mundo. Os vinhos da península ibérica começam, nesse momento, a ganhar maior destaque no cenário vinícola internacional. Há, por parte de produtores e órgãos promotores, ações para mostrar a qualidade e diversidade desses produtos. E isso poderá levar os Albariños e Alvarinhos a uma posição de maior prestígio. Na minha opinião, os grandes vinhos dessa uva ibérica nada ficam a dever aos intensos Rieslings alemães e aos nervosos Sauvignons do velho e novo mundo. Todos, vinhos intensos e marcantes.

A Fillaboa
O Fillaboa Albariño 2009 é um vinho de presença. Tem cor amarelo palha cristalino. O nariz é cítrico e frutado, lembrando abacaxi e frutas de caroço. Em boca é intenso, com frescor trazido por uma acidez crocante. E tem traços de mineralidade. É longo e persistente, deixando aquela sensação final de quero mais.
À mesa, o Fillaboa Albariño 2009 é grande companheiro para pratos com mariscos, sardinhas fritas, camarões e caranguejos ao bafo; ostras in natura, sushi e sashimi, além do polvo. Na Galícia, o pulpo preparado com azeite e páprica celebra, com os vinhos Albariño, uma harmonização regional. Um grande vinho para a culinária do mar.

O Fillaboa é trazido ao Brasil pela importadora Porto Mediterrâneo, com sede em Balneário Camboriu, Santa Catarina (www.portomediterraneo.com.br). A Porto Mediterrâneo é uma jovem importadora, fundada em 2007 . Ela iniciou suas atividades com um portfólio de 30 rótulos. Entre eles, os vinhos da bodega argentina Antis e da chilena Surazu. Em menos de quatros anos, a empresa quadruplicou seu portfólio, chegando a 120 rótulos de cinco países: Argentina e Chile, do novo mundo; Portugal, Espanha e França, do velho mundo. O maior time de produtores vem da Espanha, sete ao todo.
“Nossa política para a escolha de produtos é focada na seleção de produtores de pequeno e médio porte, que ofereçam vinhos com excelente relação preço/qualidade” afirma Júlio Schmidt, da Porto Mediterrâneo. A empresa tem representantes e/ou distribuidores em 16 estados brasileiros. Em Florianópolis, a importadora tem vinhos nas cartas de cerca de 60 restaurantes. No Brasil, o número de restaurantes com vinhos da Porto Mediterrâneo chega a 400, informa Júlio Schmidt. A empresa não tem lojas próprias e seus vinhos podem ser encontrados em cerca de 100 lojas multimarcas, pelo Brasil. O telefone da importadora, em Balneário Camboriu, é (47) 3263-0006.
* Se você gosta de Enogastronomia, visite o blog programapaoevinho.blogspot.com. Ali você encontra dicas de harmonizações, receitas e vídeos com programas.
* Se você quer conhecer mais sobre os vinhos de altitude de Santa Catarina, visite o blog vinhosdesantacatarina.blogspot.com. Ali você conhece perfis dos vinhos das altitudes catarinenses, as vinícolas e fica à par de lançamentos.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Villaggio Bassetti lança seus vinhos de altitude produzidos em São Joaquim
Vinhedos acima dos 1.200 metros
A Villaggio Bassetti é uma empresa familiar, formada pelos irmãos José Eduardo, Marco Aurélio e Cesar Juliano. Eles começaram a plantar os primeiros vinhedos em 2005, na cidade de São Joaquim. As videiras foram plantadas em altitudes que variam dos 1.230 aos 1.280 metros com relação ao nível do mar. Hoje são 13 hectares de vinhedos, de um projeto que prentende chegar a 25. São oito hectares próprios e outros cinco plantados em áreas de produtores parceiros, administrados pela Villaggio Bassetti. Estão plantadas, nesses vinhedos, as castas francesas Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Merlot e Cabernet Sauvignon. E a uva italiana Sangiovese.
A primeira safra da Villaggio Bassetti foi colhida em 2008. A variedade foi a Cabernet Sauvignon. Uma colheira pequena, com a qual foram produzidas 520 garrafas do Primiero 2008, o vinho premium da Villaggio Bassetti. As altitudes, em função do clima mais frio, acabam reduzindo naturalmente a produção de uvas. Além disso, em algumas variedades, a Villaggio Bassetti optou por plantar as videiras em alta densidade (cerca de 3.500 mudas por hectare, contra 2.000 mudas por hectare, como quantidade classificada como normal). Isso aumentou a competição entre as plantas, pela seiva bruta, e acabou colaborando na redução da produção de uvas por planta. Gerando frutas melhores.
“É no campo que se faz o vinho”
“Nosso preceito é dar à uva tudo, no campo. E tirar tudo dela, na vinícola”, afirma José Eduardo Bassetti. “É no campo que se faz o vinho”, complementa Anderson Césaro, enólogo que responde pela produção dos vinhos da Villaggio Bassetti e pelo acompanhamento das videiras e das uvas no campo. O conceito da Villaggio Bassetti, segundo o próprio Eduardo, é cultivar boas uvas para buscar a máxima expressão dos frutos, na garrafa. Sem maquiagem.
Os vinhos das safras 2008, 2009 e 2010 foram vinificados por empresas parceiras. A vinícola própria da Villaggio Bassetti está na fase final de construção. Os vinhos da safra 2011 já serão vinificados na cantina da empresa. Uma vinícola boutique, que terá capacidade para produzir 120 mil garrafas/ano.
Os vinhos
O Villaggio Bassetti Sauvignon Blanc 2010 foi vinificado em tanques de inox, para valorizar o frescor e a aromaticidade da casta. O rosé Villaggio Bassetti 2010 também foi vinificado em inox, a partir de uvas Merlot e Pinot Noir, com o mesmo propósito. Já os tintos foram elaborados pelo chamado “sistema integral” ou girolate. Utilizado em algumas regiões da França, Argentina e Chile, no sistema girolate os vinhos são fermentados e envelhecidos em barricas de carvalho francês. Isso agrega complexidade e amacia os vinhos.
No caso da Villaggio Bassetti, o carvalho utilizado na produção dos tintos veio da floresta de Tronçais, uma das mais importantes para a produção de barricas, na França. As uvas foram colocadas dentro das barricas de 400 litros, dando início ao processo de fermentação. As barricas foram giradas periodicamente, para agitar as borras e aumentar a extração de cor, taninos e aromas presentes nas uvas. Encerrada a fermentação, os vinhos foram transfegados para outra barrica, para o amadurecimento. No caso do Primiero 2008, os vinhos permaneceram nas barricas por mais 22 meses. O Montepioli 2009 ficou mais 18 meses no carvalho, após o fim da fermentação.

100% Sauvignon Blanc. Álcool de 14%. Cor amarelo palha esverdeado, com boa luminosidade. Boa intensidade aromática, com notas lembrando cítricos (limão siciliano, lima da Pérsia), frutas de polpa branca, notas minerais e de ervas aromáticas. Agradável frescor e bom frutado, em boca. Álcool bem integrado ao conjunto olfativo/gustativo. Vai bem com saladas, ostras in natura, frutos do mar, mariscos ao bafo e sardinhas na brasa.

Villaggio Bassetti Rosé 2010 – São Joaquim – Santa Catarina – Brasil
Merlot (90%) e Pinot Noir (10%). Álcool de 13%. Cor rosa cobre, lembrando os rosados provençais. Vinho límpido e luminoso. Agradável ao nariz, com notas cítricas de pomelo e nêspera. Leve, macio e frutado em boca. Bom companheiro para canapés com ovas de salmão, sushi e sashimi, camarões ao alho e óleo e uma bela salada niçoise.

Montepioli 2009 – São Joaquim – Santa Catarina – Brasil
Vinho de entrada para os tintos da Villaggio Bassetti. Merlot e Cabernet Sauvignon. Álcool de 13%. Fermentado e envelhecido por 18 meses em barricas de carvalho francês de 400 litros, de segundo uso. Vinho de cor rubi-violácea, límpido. Nariz agradável, com aromas lembrando frutas vermelhas (ameixas frescas e framboesas), leve floral de violeta, uma nota vegetal remetendo ervas como o louro e toques de chocolate. Macio, em boca, com destacado frescor e taninos redondos, muito leves. Excelente companheiro para carnes grelhadas, costelinhas de porco na brasa, massas com molhos de tomate e carne, pratos com caças de pena (codorna, perdiz, pato), queijos de média maturação e um bom bacalhau.

Vinho premium da Villaggio Bassetti. Álcool de 13,9%. Elaborado 100% com uvas Cabernet Sauvignon, pelo processo girolate, de fermentação em barricas novas de carvalhos francês de Troncais, de 400 lts. Estágio de 22 meses nas barricas novas, após a fermentação. Ao nariz, traz lembranças de notas de frutas vermelhas (ameixas frescas) e negras (mirtilos). Aromas de especiarias como a pimenta preta, tostados, notas terrosas, vegetais e de alcaçuz formam o leque aromático do vinho. Intenso, equilibrado e fresco em boca, com taninos maduros. Um vinho firme, que harmoniza bem com queijos maduros, filés com molhos encorpados, preparos com carnes de cordeiro e caças de pelo como o javali.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Empanadas, tango e vinhos

As saborosas empanadas do João de Barro
O tango é uma grande forma de expressão cultural argentina. Atrevido, sensual, irônico, drámatico são alguns dos adjetivos que podem ser usados para definir essa arte que conjuga música, dança e teatro. Um mergulho na alma argentina. Em Buenos Aires, um show de tango fica ainda melhor quando regado por bons vinhos e boa comida. Uma gostosa harmonia entre mesa, copo e arte.
As empanadas são, assim como o tango, outro clássico argentino. Elas são oferecidas em cafés, lanchonetes e restaurantes. Podem ser servidas como refeição rápida ou como entrada de um almoço ou jantar. As empanadas têm receitas e ingredientes regionais. E podem ter múltiplos recheios. Aquelas com recheio de carne bovina, cebola, azeitonas, passas, ovos cozidos, páprica e pimenta são bem tradicionais. Assim como as de frango, milho e carne com cebola. De origem espanhola, esses preparos podem ser assados ou fritos. As empanadas são sempre comidas com as mãos, mesmo no início de uma refeição. Nunca com garfo e faca.
Apesar de serem classifcadas como petiscos, as empanadas têm uma estrutura considerável. Têm carne, cebola, manteiga, temperos verdes, especiarias, passas, azeitonas e ovos. Um conjunto que concentra sabores variados: tendência doce, tendência amarga, tendência salgada. E sensações táteis de untuosidade e até mesmo gordura. Assim, para a acompanhar empanadas de carne, podem ser escolhidos tintos com corpo médio, boa aromaticidade, boa acidez e taninos não muito marcantes, para limpar o paladar. Se as empanadas forem de pescados, um branco intenso, com passagem por barricas, bom frescor e teor alcóolico farão agradáveis casamentos.

Em Florianópolis, é possível desfrutar das delicias do tango no restaurante João de Barro, no bairro do Cacupé, norte da Ilha. Ali, o grupo Capotango se apresenta unindo música, boa gastronomia e bons vinhos. Gustavo Lorenzo (voz, percussão e composição), Pablo Greco (bandonéon) e Pablo Lazarte (violão e baixo) formam o Capotango, cujo nome vem de capo, que significa chefe em italiano. E também tem o significado de mestre. No caso, Capotango, eles utilizaram a palavra capo para referir-se a mestre, expert em tango.
O Capotango está na estrada há dez. Já fez tournées pela Europa e outros países, além da Argentina. No João de Barro, os shows acontecem sempre acompanhados por empanadas. A receita é argentina, legítima. Quem comanda o preparo é a chef Diana Mabel. Segundo ela, tango e empanadas são companheiros naturais. Chamam a amizade, um bom papo, momentos agradáveis.
As empanadas e os vinhos
Na Argentina, o Malbec é um grande companheiro para as empanadas. Aliás, companheiro para quase tudo. Mas podem entrar outros vinhos. Um Syrah não tão estruturado, que vai bem com pratos com especiarias, pode ficar interessante. O Merlot, para as empanhadas mais leves, cai como uma luva. E um bom branco, um Chardonnay, por exemplo, pode escoltar empanadas com recheio de peixe.
Malbec
O Nieto Senetiner Malbec DOC 2008 é um 100% Malbec produzido com uvas de vinhedos de 45 anos. Com 13,5% de álcool, o vinho estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. O resultado é um vinho com notas de frutas maduras (figo, passas), especiarias e tabaco. O vinho tem bom frescor em boca e taninos macios.
Na harmonização com as empanadas, o Nieto Senetiner Malbec DOC 2008 refrescou a tendência amarga dos pimentões e do ovo. A boa aromaticidade e estrutura do vinho deram suporte ao conjunto de sabores formado pela carne, passas, azeitonas, a páprica e o cominho. Os taninos enxugaram a suculência do preparo e da mastigação. Foi um casamento bastante agradável.
Merlot
O Saurus Merlot 2007 mostrou tipicidade e surpreendeu pelo frescor e pela maciez. Um Merlot particular, resultado do casamento da casta com o terroir de San Patricio del Chañar, onde chove praticamente nada e os solos são ricos em carbonato de cálcio. Quarenta por cento deste Merlot estagiou quatro meses em barricas de carvalho francês e americano. No nariz o vinho mostrou boa fruta (ameixas, framboesa), notas mentoladas e lembranças de especiarias doces. Em boca, acidez deliciosa e taninos muito macios.
Na harmonização com as empanadas de carne, o Saurus Merlot 2007 refrescou o preparo, dando vivacidade ao conjunto. O frescor do vinho aplacou as notas com tendência amarga de alguns ingredientes. Os taninos enxugaram a suculência do preparo e, pode-se dizer, estenderam o tapete para a próxima mordida. Outra combinação bastante agradável.
Para conhecer mais sobre o restaurante João de Barro e o grupo Capotango acesse: www.joaodebarro.com.br e www.capotango.com.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Trufas e Vinhos

As trufas crescem espontaneamente nos bosques, em solos calcáreos e argilo-calcáreos, entre as raízes dos carvalhos. A colheita ocorre no outono e inverno, dependendo da variedade. Mas há colheitas permitidas entre maio e novembro. Outubro é o grande mês da trufa branca, no Piemonte. Nesse período, pode-se comprar o cogumelo subterrâneo em feiras e lojas de alimentos.
A caça ao tartufo é uma velha prática européia. Antigos druidas celtas utilizavam esses cogumelos para preparar poções. Os romanos eram apreciadores do produto e chamavam as trufas de frutos dos relâmpagos. Eles acreditavam que os raios eram lançados pelos deuses sobre os carvalhos. Ao serem atingidos, os carvalhos produziam trufas entre suas raízes. Um fruto exótico e mineral.
Atualmente, as trufas frescas fazem parte, na Europa, de preparos de estação ou pratos especiais. No Brasil, é difícil encontrar trufas in natura, porque elas duram pouco tempo, devem ser consumidas em até uma semana. Pode-se comprar trufas inteiras, em conserva. Não são iguais às trufas frescas, maiores, mais aromáticas e com textura mais firme. Mas são a alternativa possível. Também se encontram trufas fatiadas conservadas em azeite de oliva. E manteiga e mel aromatizados com trufas. Esses produtos podem ser utilizados de várias formas.

Restaurantes
No Piemonte, noroeste da Itália, nos meses de outubro, novembro e até mesmo dezembro, a trufa branca é a estrela dos pratos regionais. Ela brilha em receitas produzidas nos restaurantes da região. Laminada na hora, a trufa aromatiza o tajarin (uma massa longa preparada com gemas e farinha), risotos com queijo Fontina, preparos com vegetais, grãos, carnes de vitelo e ovos fritos.

Na mesma Costigliole d’ Asti, o Café Roma (www.enofoodroma.it) serve pratos com trufas. Entre eles, o talharim salteado em manteiga, com trufas brancas generosamente raladas sobre o prato. Fora da temporada do tartufo, pode-se provar, no Café Roma, o vitello tonnato, o brasato e o bolito misto, do qual falarei numa próxima postagem. Vale visitar a enoteca, embaixo do restaurante. Na enoteca há Barberas de vários produtores e de safras antigas. Os donos são apaixonados pelos Barberas, o vinho cotidiano dos piemonteses. Os vinhos podem ser acompanhados por queijos variados e fiambres ricos, que a casa oferece.

Il Cambio
Um lugar especial para ser provar a rica gastronomia piemontesa é o centenário Ristorante del Cambio, na cidade de Turim, capital piemontesa (www.cambio.thi.it). Fundada em 1757, a casa tem mais de 250 anos. Um endereço clássico, com cardápio igualmente clássico. E toques de sofisticação e modernidade nos pratos.
Provei no Cambio uma entrada à base de creme de ovos coberto com trufas brancas raladas na hora. Depois, o tajarin, feito com só com farinha e gemas, puxado na manteiga e fartamente coberto com trufas brancas. O menu continuou com verduras, pratos de carne de vitela e sobremesa. Os vinhos, todos piemonteses.
A adega do Câmbio é uma atração à parte. Uma cave antiga, onde estão devidamente guardados os cerca de 950 rótulos dos melhores vinhos produzidos pelo mundo. Vinhos italianos, champagnes, vinhos franceses, libaneses e chilenos, rótulos desejados e de grandes safras.
Vinhos para Trufas
Para acompanhar pratos de trufas, os vinhos regionais piemontes são sempre excelentes indicações. Entradas e pratos mais leves, como ovos e vegetais com trufas, ficam excelentes na companhia de um bom Cortese ou um Chardonnay regional. As trufas brancas são intensas. Raladas sobre ovos, fazem excelente parceria com brancos intensos, com bom frescor, alcoolicidade, macios e minerais. Pode-se também optar, nesses casos, por tintos elegantes, com bom frescor.
Carnes com trufas pedem tintos potentes e complexos. Automaticamente, vem à mente o Barolo. Elaborado 100% com a Nebbiolo, o Barolo tem aromaticidade que engloba frutas negras, notas de violetas secas, especiarias, toques tostados. Além de frescor, sapidez e taninos presentes em boca. Um conjunto capaz de acompanhar, com elegância, um bom Filetto in Crosta con Tartufo (filé com crosta de trufas). E outras maravilhas da gastronomia piemontesa e da culinária da trufa.

